Em todo o mundo, cerca de 17 milhões de pessoas morrem por doenças cardio-vasculares, nomeadamente por acidente vascular cerebral (AVC) e enfarte agudo do miocárdio. Sabe-se ainda que um número significativo destas mortes é atribuído ao fumo do tabaco, que aumenta o risco de desenvolvimento de doença coronária. (Organização Mundial de Saúde, 2008). Em Portugal, as doenças cardio-vasculares foram, em 2005, a primeira causa de morte em Portugal, sendo responsáveis por 24 000 mortes, das quais o acidente vascular cerebral (AVC) é o principal “responsável”. Dados estatísticos de 2004 demonstram que o AVC foi a segunda maior causa de morte, com uma taxa de 16,4% de mortes, seguido do enfarte agudo do miocárdio (8,7%), sendo apenas ultrapassado por morte por neoplasia (22,3%).
Este é, portanto, um grave problema, para o qual a população em geral deve estar alerta, sabendo identificar sinais, sintomas e, mais importante que tudo, actuando de forma preventiva na redução dos factores de risco individuais.
O AVC é caracterizado pela interrupção da irrigação sanguínea das estruturas cerebrais, ou seja, ocorre quando o sangue que irriga o cérebro com oxigénio e glicose deixa de atingir a região, ocasionando a perda da funcionalidade dos neurónios/células cerebrais. É uma doença de início súbito, que pode ocorrer por dois motivos: isquémia ou hemorragia.
Estima-se que cerca de 85% dos AVC’s ocorridos são de origem isquémica, em que ocorre uma oclusão nas paredes do vaso, obstruindo a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação das células, o que pode resultar em morte das mesmas. Os AVC’s isquémicos subdividem-se em acidentes resultantes de doença aterosclerótica (em que o espaço entre as paredes dos vasos se estreita, constituindo um local para a formação de trombos – coágulos), embólica (consequência de êmbolos de origem cardíaca que se soltam e deslocam através da circulação até um vaso mais estreito), idiopática (na qual não está descrita uma causa identificável), entre outras causas.
Os AVC’s hemorrágicos ocorrem em cerca de 15% dos casos, e ocorre pela ruptura de um vaso ou de uma artéria sanguínea. Este tipo de AVC é classificado de acordo com a localização da hemorragia.
Existem ainda os acidentes isquémicos transitórios (AIT), que se caracterizam por um episódio súbito de deficit sanguíneo com manifestações neurológicas, que faz remissão sem efeitos residuais. Pode durar segundos, minutos, horas, mas a duração média é de 10 minutos, sendo o máximo um período de 24 horas. Contudo, o AIT constitui um factor de risco muito importante, dado que é um sinal de aviso de um problema isquémico instalado. Estima-se que cerca de um terço das pessoas que tenham um AIT sofrerá outro episódio, outro terço não sofrerá mais episódios, e um terço terá um AVC no espaço de dois anos.
Portugal é, ainda, o País da União Europeia com maior taxa de mortalidade por AVC, o que está relacionado com os factores de risco associados. Consideram-se como principais factores de risco individuais para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (de entre as quais o AVC), os seguintes: tensão arterial elevada; colesterol elevado; hábitos tabágicos; alimentação inadequada (por ex. excesso de sal, gordura e açúcar, ou carência de vegetais); excesso de peso/obesidade; sedentarismo; Diabetes Mellitus; stresse excessivo.
Relacionando os factores de risco com a situação portuguesa, verificamos que actualmente, a hipertensão arterial é insuficientemente e tardiamente diagnosticada e tratada. Esta tendência para a hipertensão arterial tem como etiologia não só o desvirtuamento da tradicional dieta mediterrânica, como também o tabagismo não controlado. Acresce a tendência de aumento do abuso de álcool e do aumento da obesidade, favorecendo a ocorrência de Diabetes Mellitus tipo 2, os quais, por sua vez, contribuem para o aumento da morbilidade cardiovascular e mortalidade precoce. O somatório de comportamentos de risco é agravado pela falta de actividade física diária, ligada ao uso exagerado de transportes e de longos períodos em frente da televisão, que tornam o sedentarismo mais um factor de risco acrescido.
E quais os sinais e sintomas do AVC? Estes reflectem o local e a gravidade da lesão isquémica, e os mais comuns são os seguintes: diminuição da força de um dos lados do corpo (hemiparésia); reflexo de deglutição (de alimentos sólidos ou líquidos) alterado; desvio da boca (boca ao lado); dificuldade ou incapacidade de se expressar verbalmente ou de compreender a fala; alteração do campo de visão (diminuição da visão, visão dupla, entre outros); perda de memória; perda de capacidade de raciocínio.
Nos AIT’s, para além da possibilidade de ocorrerem os sintomas anteriormente referidos, pode ainda sentir lapsos breves de consciência, tonturas, ou mesmo vertigens.
Se sentir qualquer um destes sintomas, não hesite! Contacte de imediato os serviços de emergência médica! Nestas situações, o factor tempo é essencial. Quanto mais rápido for iniciado o tratamento, menores são as probabilidades da pessoa ficar com limitações.
E como nos refere uma campanha lançada pelo Ministério da Saúde (direccionada para o enfarte), “Seja mais rápido que um Acidente Vascular Cerebral!!”.
Enf. Leonor Monteiro
Enfermeira Especialista de Reabilitação
Directora Learn & Care
Mais informações em www.primuscare.pt